📌 Nova NR-1: o que muda e por que isso é um marco na segurança e saúde no trabalho
A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) é a base de todas as normas de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) no país. Ela estabelece as disposições gerais e os princípios para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) — ou seja, o conjunto de ações que as empresas devem realizar para prevenir acidentes e doenças no ambiente de trabalho.
A atualização da NR-1 traz um novo foco estratégico e amplia o alcance das responsabilidades dos empregadores, refletindo uma compreensão mais moderna de saúde ocupacional, incluindo não apenas riscos físicos, mas também fatores psicossociais (como estresse e assédio).
Principais pontos da nova NR-1
Inclusão obrigatória dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos (GRO)
Uma das mudanças mais importantes é a incorporação formal dos fatores de risco psicossocial relacionados ao trabalho no processo de gestão de riscos. Isso significa que empresas precisarão identificar, avaliar e controlar fatores como:
•estresse excessivo e carga mental de trabalho
•assédio moral e sexual
•jornadas exaustivas
•pressão contínua por metas
•isolamento e hiperconectividade
Esses fatores passam a ser tratados com a mesma seriedade que riscos físicos e químicos, exigindo ações e documentação técnica.
Atualização do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)
O PGR agora precisa ser mais completo e técnico, registrando:
•identificação e classificação de todos os riscos (físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais)
•medidas preventivas e controles adotados
•monitoramento contínuo das ações
•responsáveis e cronogramas claros
Esse programa deve estar bem documentado e atualizado, detalhando como cada risco é abordado, inclusive os psicossociais.
Período de adaptação e fiscalização educativa
Embora a nova redação tenha sido publicada em 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) determinou um adiamento da exigência efetiva para permitir que as empresas se adaptem:
•entre maio de 2025 e maio de 2026, a fiscalização será orientativa e educativa, sem aplicação de multas.
•a partir de 26 de maio de 2026, a fiscalização passa a ser punitiva, com possibilidade de autuações em caso de descumprimento.
Esse período de transição é estratégico para que empregadores revisem processos e invistam em melhorias sem risco imediato de sanções.
📊 Por que essa mudança é tão importante
1. Amplia a proteção à saúde do trabalhador
Pela primeira vez, o ambiente de trabalho passa a exigir o reconhecimento formal de riscos que afetam diretamente a saúde mental dos colaboradores, como estresse, moral harassment e sobrecarga emocional — elementos que, até então, eram tratados de forma secundária ou reativa.
2. Integra risco físico e psicológico na gestão empresarial
Empresas precisarão estruturar programas que integralmente abordem todos os tipos de risco, o que tende a:
✔ reduzir adoecimentos
✔ diminuir afastamentos por motivos de saúde
✔ melhorar clima organizacional
✔ reduzir passivos trabalhistas relacionados a doenças ocupacionais
Esse alinhamento exige atuação integrada entre departamentos de SST, RH, jurídico e gestão.
3. Aumento da responsabilidade legal das empresas
Com a inclusão dos fatores psicossociais, não é mais aceitável considerar questões como estresse e pressão de trabalho como “problemas pessoais” sem uma análise técnica. Empresas que negligenciarem esses riscos podem enfrentar:
🔸 autuações após maio de 2026
🔸 aumentos no FAP (Fator Acidentário de Prevenção)
🔸 maior exposição a ações trabalhistas
🔸 impacto reputacional negativo
